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Por: Fabíola Rocha 

O câncer de mama no Brasil, é o mais comum após o câncer de pele, além de ser o que causa mais mortes pela doença em mulheres, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O câncer de mama impacta a mulher de forma avassaladora, lhe atingindo fisicamente e emocionalmente. Após o diagnóstico, a dor emocional fica evidente, e os primeiros pensamentos são relacionados a morte, a negação e esperança, as quais em geral, levam a mulher em busca de um novo parecer médico. Sentimentos como medo, raiva, angústia, se tornam recorrentes, sendo que as adversidades enfrentadas pela paciente até o encerramento do tratamento são diversos, causando sofrimento psíquico intenso. Incertezas, rótulos sociais, o temor da mutilação e da morte, passam a fazer parte da vida diária.

Os seios possuem uma representação simbólica para o feminino, sendo uma parte do corpo da mulher associada ao desejo, a sensualidade, mas também a maternidade, a alimentação. O câncer exige da mulher a passagem por diversas etapas nas quais é necessário se readaptar imediatamente, por vezes interrompendo sonhos, planejamentos, impactando também sua vida social e financeira.

A construção social em torno do câncer associado diretamente a morte, causa comoção e leva as pessoas a agirem com “pena” da paciente ao saber do diagnóstico, a mulher então por vezes é invadida com olhares melancólicos, falas de despedida, tornando o processo ainda mais doloroso e difícil de ser enfrentado, levando a crença que a única possibilidade após a certeza da doença é morrer.

Elisabeth Kubler Ross, em seu livro Sobre a Morte e o Morrer escreve sobre as fases do luto, negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação, e ter câncer é enfrentar diariamente o luto, pelos mais diversos motivos.

Durante a fase da negação a mulher não aceita o tratamento e acredita no erro do diagnóstico, é neste momento que ela vai tentando ganhar tempo para se preparar e conseguir lidar com a situação. Já na fase da raiva, a paciente passa a agir de forma agressiva ou hostil seja com os familiares, amigos, e os próprios médicos. Na fase da barganha ou negociação, é o momento em que o apego a sua crença religiosa ou espiritualidade, e a negociação com o que se crê fica mais evidente. Então a paciente é atingida novamente de forma tão intensa quanto pela raiva, mas desta vez pela depressão, e pela dor de talvez não se reconhecer, pelas perdas que marcaram sua jornada na luta contra o câncer. Já na fase da aceitação a mulher somente concorda com o que vai acontecer, independente de ser a cura ou a morte.

Ao longo do processo é fundamental existir o suporte familiar a esta paciente, bem como o apoio psicológico. O psicólogo vai auxiliar em questões relacionadas a dor emocional vivenciada, realizando a escuta qualificada, o acolhimento sem julgar ou criticar suas atitudes e pensamentos. Existem hoje psicólogos especializados em psico-oncologia que possuem expertise no tratamento de doentes e familiares de pessoas acometidas pela doença, contribuindo para a adaptação à nova realidade.

 

 Dra. Fabiola Rocha – Psicóloga CRP 08.30327

Empresária, palestrante, psicóloga cognitiva-comportamental, especializanda em direitos humanos, psiquiatria e saúde mental da infância e da adolescência, além de atuar com intervenções assistidas por animais. Colunista Portal VRNews